Novas ferrovias, mais cargas para os portos.
Ferrovias de SC ganham investimentos
Leste-Oeste será ampliada e Litorânea tem projeto já aprovado
Duas novas medidas prometem impulsionar a malha ferroviária e a economia de Santa Catarina nos próximos anos.
Ontem, parlamentares catarinenses se reuniram na Câmara Municipal de Imbituba, no Sul do Estado, para anunciar a ampliação da Ferrovia Leste-Oeste até a fronteira com a Argentina e a assinatura do contrato e a ordem de serviço para execução do projeto executivo da Ferrovia Litorânea.
Dentro de aproximadamente seis meses, será possível conhecer os detalhes da Ferrovia Litorânea, uma obra de 235,6 quilômetros que está orçada em R$ 945 milhões e deve ser finalizada até 24 meses após a contratação das empresas envolvidas.
A estrutura será construída entre os municípios de Araquari, no Litoral Norte, e Imbituba, no Litoral Sul, e vai interligar portos de Imbituba, Itajaí e São Francisco do Sul e incorporar a ferrovia Tereza Cristina, entre Tubarão e Imbituba, ao Sistema Ferroviário Nacional.
Portos serão inteligados, facilitando os negócios
– Santa Catarina tem uma malha ferroviária fantástica e extensa que estava desmontada – lembrou.
– O que estamos fazendo aqui hoje vai permitir que Imbituba e Itajaí se liguem ferroviariamente não somente com São Francisco do Sul, mas com todos os portos que importam no Brasil – destacou a senadora Ideli Salvatti (PT).
Ela participou da cerimônia em Imbituba, uma das paradas realizadas durante a vistoria realizada no trecho Sul da BR-101.
Durante o encontro, a senadora também anunciou a ampliação da Ferrovia Leste-Oeste, conhecida como ferrovia da integração e com 680 quilômetros de extensão.
A obra está incluída no Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), do governo federal, e o edital de licitação do projeto em elaboração tem previsão de ser lançado nos próximos meses, ou seja, ainda este ano.
– Vamos contar com uma ferrovia que cortará toda Santa Catarina e estaremos conectados com o sistema rodoviário argentino e chileno. Iniciativa que aumenta a competitividade de nossos produtos para exportação – comemorou.
nanda.gobbi@diario.com.br
Fonte: DIÁRIO CATARINENSE
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GOVERNO DO ESTADO DE SANTA CATARINA
Atual malha ferroviária
Escoar a produção interna com baixo custo e alta funcionalidade. Este é o grande trunfo do transporte ferroviário. Em Santa Catarina são 1.365 quilômetros de estradas de ferro, em bitola de 1 metro. Outro ponto positivo na intensificação do transporte ferroviário é a absorção de parte dos veículos pesados, grandes responsáveis pela deterioração das rodovias.
O serviço ferroviário em Santa Catarina é realizado por duas concessionárias:
ALL – América Latina Logística - 1201 km
FTC – Ferrovia Tereza Cristina - 164 km
A ALL possui 4 trechos, sendo que estão em operação 581 quilômetros, utilizados no transporte de grãos, madeira e carga geral. São eles:
Porto União – Marcelino Ramos (sem operação)
Mafra – Porto União (sem operação)
Mafra - São Francisco do Sul (Porto)
Mafra - divisa do Rio Grande do Sul, via Lages
A FTC fica no Sul do Estado. É uma ferrovia especializada no transporte de carvão. Faz o abastecimento da Usina Termoelétrica Jorge Lacerda diretamente das minas.
Ferrovias Planejadas
Com o objetivo de ampliar a malha ferroviária, a Secretaria de Infra-estrutura desenvolveu em 2003 o “Estudo de Viabilidade do Sistema Ferroviário no Estado de Santa Catarina“, o qual propõe 2 novas ferrovias:
- Ferrovia Litorânea - 236 km
- Ferrovia Leste-Oeste - 616 km
O estudo da Ferrovia Litorânea indica um caminho que liga Imbituba a Araquari, e conectaria as ferrovias ALL e FTC, além dos 4 portos catarinenses.
Por sua vez a Ferrovia Leste-Oeste prevê a ligação entre as cidades de Itajaí e Chapecó, conectando à ALL em Ponte Alta no Planalto Serrano, e em Herval d´Oeste, no Vale do Rio do Peixe.
A Secretaria de Infra-estrutura em convênio com o Ministério dos Transportes pretende realizar os projetos básicos das ferrovias planejadas.

Veja Mais no mapa!
Histórico das Ferrovias em Santa Catarina
Ferrovia Tereza Cristina
A descoberta de jazidas de carvão no sul do Estado, na região de Tubarão, atraiu investimentos estrangeiros, e entre 1880 e 1884 foi construída a Ferrovia Tereza Cristina. O nome é uma homenagem da empresa inglesa, responsável pela construção, à esposa do Imperador Dom Pedro II, como forma de agradecimento à autorização governamental para a realização da obra. A linha tronco foi concluída com 118.096 metros, ligando o porto de Imbituba às minas. Um ramal de 7.056 metros conectava as estações de Bifurcação e Laguna. As bitolas eram de 1 metro e a ferrovia tinha 44 pontes e pontilhões. Ao todo eram sete estações: Imbituba, Bifurcação, Laguna, Piedade, Pedras Grandes, Orleans e Minas. Em 1917 foi inaugurado o ramal Tubarão - Araranguá, com 91.850 metros. Outros menores seriam implantados no decorrer dos anos de existência da ferrovia.
Ferrovia São Paulo Rio Grande
O engenheiro mineiro João Teixeira Soares propõe implantar uma ferrovia colonizadora entre Santa Maria (RS), e Itararé (SP), numa extensão de 1.403 km. Nasce a Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande, iniciada em 1890. Quinze anos depois de colocados os primeiros trilhos, apenas 600 quilômetros estão abertos ao público, em trechos isolados do Rio Grande do Sul e São Paulo. A partir de 1906, com a entrega da concessão à Brazil Railway Company, do milionário americano Percival Farquhar, o ritmo da construção se acelera. O trecho catarinense desta ferrovia foi construído no período de 1907 a 1910, com 373 quilômetros. Ligava as cidades de União da Vitória (PR) e Marcelino Ramos (RS). Seu traçado foi feito sobre o Rio Uruguai. Percival Farquhar cumpriu sua parte do contrato. Terminou a construção da estrada de ferro no prazo marcado, em 17 de dezembro de 1910.
Os produtos das terras do vale do Rio do Peixe rapidamente eram transportados para São Paulo e o Rio de Janeiro, pelos trilhos da São Paulo-Rio Grande. E a madeira de Canoinhas, pelo ramal ferroviário, aberto em 1º de abril de 1913, chegava fácil ao Porto de São Francisco do Sul. A construção da linha que liga São Francisco do Sul ao Planalto Norte, passando por São Bento do Sul, teve início já nos primeiros anos de República. A obra desta linha, ramal ferroviário que pertencia a Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande com entroncamento na cidade de Porto União, teve sua conclusão em 1917.
Tronco Sul – Mafra a Lages
A nova ligação entre São Paulo e Rio Grande do Sul, passando por Mafra e Lages, foi iniciada no final da década de 30 e terminada na década de 60. A construção coube ao 11º Batalhão de Engenharia de Construção do Exército – Batalhão Mauá, na época sediado em Rio Negro, Paraná. É uma ferrovia com melhores características do que a antiga São Paulo-Rio Grande. Tem um traçado mais curto e permite o tráfego de trens mais longos e mais pesados.
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