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O litoral do Estado de Santa Catarina possui uma extensão aproximada de 530 km, proporcionando variadas atividades econômicas ligadas ao mar. Entre elas podemos destacar a portuária, a pesca, a maricultura, o turismo e o lazer.
Historicamente, a costa catarinense, em especial a Ilha de Santa Catarina, se tornou um atrativo estratégico não somente para nós brasileiros, como também para as potências estrangeiras da época, como podemos apreciar no importante artigo de Armando Gonzaga:
A ESTRATÉGICA ILHA DE SANTA CATARINA
Afastados dos tempos da navegação heróica, dos galeões, naus e caravelas e das disputas territoriais, pelos impérios dominantes, hoje não nos damos conta da importância estratégica desta Ilha, agora famosa pelos seus encantos turísticos.
Poucos até, tem na memória a razão do pavilhão catarinense ostentar águia em atitude guerreira, empunhando âncora e chave entrecruzadas. A explicação de que aqui nesta Ilha que deu nome e importância à Capitania, depois Estado, residia a “chave” dos mares do Sul, causa espanto à maioria dos catarinenses, alheios a nossa memória. Vale a pena relembrar.
Plantada próxima à extremidade sul do que a convencionou chamar de “golfo brasileiro”, com sua maior dimensão correndo paralela à costa continental próxima, a Ilha de Santa Catarina forma com esse litoral, um conjunto de baias e enseadas abrigadas, protegidas dos perigosos “mares do albardão” e dos ventos austrais dominantes. Tornou-se, portanto, ponto obrigatório, de refresco e abastecimento, pelas naus da navegação à vela, que intentavam alcançar o litoral sul do continente e mais além do estreito de Magalhães, o oceano Pacífico, então conhecido por “mares do sul”. Após a travessia atlântica, as embarcações muitas vezes necessitavam “carenar”, subir a praia na maré alta, deitar sobre um dos bordos, efetuarem limpeza do casco, troca de pranchas comprometidas, refazerem calafetos e embrear o fundo. A antiga ilha do papagaio grande, hoje península, junto à barra sul, por isso ficou conhecida como “dos reparos”.
Deram fama inicial os navegadores à serviço de Espanha, Juan Diaz Solis, português de nascimento; Alvar Nuñes “Cabeza de Vaca”; Diego Garcia e Sebastião Caboto, que a nomeou. Pela importância do ato, convém destacar o que escreveu a respeito o cronista da expedição, Alonso de Santa Cruz: ...” pusimos nombre Sancta Catalina”... referindo-se à Ilha, chamada “Meiembipé” pelos índios Carijós do ramo Tupi-guarani e ao bergantim, que aqui construíram, para subir o estuário do rio da Prata.
Examinando-se qualquer atlas ou planisfério, desde o séc.XVI, até os atuais, nenhum deixará de registrar esta Ilha de Santa Catherina ou Catarina, o que nos revela a sua importância para todos os navegadores desde então.
Para garantir seu domínio Don João V, nos alvores do sec. XVIII mandou guarnecê-la de fortalezas, encarregando dessa tarefa seu mais recomendado estrategista e engenheiro militar, o brigadeiro José da Silva Paes, que aqui iniciou a construção do terceiro maior sistema defensivo do Brasil Colônia. Para conquistá-la Carlos III, rei de Espanha, atendendo aos insistentes apelos de Don Pedro Cevallos, ex-alcaide em Buenos Aires armou em 1776 a maior armada que até hoje atravessou o Oceano Atlântico. Foram 116 navios de combate e transporte de tropas, trazendo embarcados mais de 10 mil homens dos melhores regimentos de infantaria e artilharia de Espanha.
Nem falamos, por ter ficado apenas em intenções e propostas, do interesse da Inglaterra, para aqui montar a zeladoria do Oceano Atlântico Sul.
Já adentrando o sec. XX registramos os vôos pioneiros da francesa Lattécoére depois Aeropostale, pousando no Campeche. No mesmo local, onde a WESTERN Cable & Wireless, inglesa, amarrou seus cabos submarinos, na conexão com Buenos Aires e a África do Sul. Mesma amarração da moderna fibra ótica, revelando que a posição estratégica permanece atual. Olhando o céu, em dias claros, o ilhéu se surpreende com os “riscos no céu“ deixados por tantas aeronaves que sobrevoam a Ilha, em passagem de seguras aerovias.
Enfim, somos a estratégica Ilha de Santa Catarina, esquecida dos governantes locais, mas sempre cobiçada por potências estrangeiras mais argutas e conhecedoras de sua posição privilegiada no domínio do Sul do Continente.
Armando Luiz Gonzaga

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